Origem, tradição e evolução do jogo de damas
Uma viagem pelos registros antigos, pelos primeiros livros teóricos e pelo desenvolvimento do jogo de damas no Brasil.
A origem do jogo de damas é desconhecida. Pinturas e tabuleiros encontrados em túmulos do antigo Egito, além de achados arqueológicos em diferentes lugares do mundo, indicam a existência de jogos semelhantes ao atual jogo de damas.
Apesar desses registros, não há indícios seguros que determinem exatamente onde e quando o jogo surgiu. O que se sabe é que, com o passar dos séculos, a modalidade ganhou estrutura, literatura técnica e grande popularidade.
Marcos importantes da história das damas
Conteúdo reorganizado em blocos para facilitar a leitura e valorizar os personagens e momentos decisivos da modalidade.
Das origens antigas aos primeiros registros
A origem do jogo de damas permanece incerta. O que existe são registros de jogos parecidos em achados antigos, especialmente pinturas e tabuleiros encontrados em túmulos do antigo Egito e em outros locais do mundo.
Esses indícios mostram que a ideia de jogos de tabuleiro estratégicos atravessa civilizações, mas não permitem afirmar com precisão o ponto inicial do jogo de damas moderno.
O avanço teórico no século XVI
No século XVI foram editados na Espanha os primeiros livros conhecidos com elementos teóricos já bastante desenvolvidos. Um dos registros citados é “El ingénio ó juego de marro, de punto ó damas”, de Anton Torquemada, publicado em 1547.
Embora não exista exemplar conhecido dessa obra, sua citação por outros autores indica a relevância do jogo naquele período. Hoje, estima-se em centenas de milhares os títulos publicados sobre damas em todo o mundo.
Popularização mundial e chegada ao Brasil
O primeiro campeão mundial homologado pela Federação Mundial de Jogo de Damas foi o austríaco Isidore Weiss. A Federação Mundial foi fundada em 1948, em Paris, França.
O jogo se popularizou em dois tabuleiros principais: o de 64 casas, jogado com 12 peças para cada lado, e o de 100 casas, jogado com 20 peças para cada lado. Considerando sua forte presença na Europa antes da época dos descobrimentos, acredita-se que o jogo tenha sido introduzido no Brasil pelos primeiros colonizadores.
Geraldino Izidoro e o início esportivo no Brasil
Como esporte, o jogo de damas teve início no Brasil entre 1935 e 1940, pelas mãos de Geraldino Izidoro. Parte das provas daquele período foi registrada no livro “Ciência e Técnica do Jogo de Damas”, de G. Izidoro e J. Cardoso.
O primeiro livro editado no Brasil foi “40 Golpes Clássicos”, de autor desconhecido, publicado no Rio de Janeiro em 1940.
W. Bakumenko e o reinício do movimento damístico
A partir de 1940, a prática organizada entrou em recesso. O cenário mudou em 1954, com a chegada do mestre russo W. Bakumenko, egresso de uma escola damística evoluída e campeão da URSS em 1927.
Radicado em São Paulo, Bakumenko deu início à criação de um núcleo damístico. Ao saber de sua presença, Geraldino Izidoro procurou o mestre, o que gerou um famoso encontro entre equipes de São Paulo e Rio de Janeiro, realizado em 2 de maio de 1954.
Bakumenko incentivou a prática do jogo, publicou colunas damísticas, estimulou novos grupos e editou obras como “Jóias do Jogo de Damas” e “Curso das Damas Brasileiras”.
Federações, campeonatos e reconhecimento esportivo
O trabalho de Geraldino Izidoro, com torneios, grupos damísticos, simultâneas, prêmios e colunas em jornais e revistas, ajudou a fazer crescer o interesse pelo esporte no Rio de Janeiro e em todo o país.
Esse movimento resultou na criação de federações estaduais em São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Minas Gerais. Em 5 de abril de 1963 foi fundada a Federação Paulista de Jogo de Damas, a primeira federação no Brasil.
Em 1967, Belo Horizonte recebeu um grande campeonato com 1009 participantes. No mesmo ano, aconteceu o I Campeonato Brasileiro de Jogo de Damas em 64 casas, em São Pedro D’Aldeia, com vitória de José Carlos Rabelo após match decisivo.
Também em 1967, o jogo de damas foi desfilado da CBD como esporte amador, voltando à condição esportiva apenas em 19 de novembro de 1988. Nesse intervalo, os damistas fundaram em Niterói a Confederação Brasileira de Jogo de Damas, tendo como primeiro presidente o dr. Murilo Portugal.